As grandes cidades da América Latina, Ásia e África crescem aceleradamente. Vindo das zonas rurais pobres, os migrantes acabam enchendo as favelas das periferias - sem emprego e num ambiente em que reinam a violência e a criminalidade. O caminho à cidade é frequentemente um caminho para a pobreza. A nível mundial, já um em cada três moradores urbanos vive numa favela; nos países em vias de desenvolvimento ou semi-industrializados, são até mais de 40%. Em termos absolutos, mais de 1000 milhões de pessoas encontram-se nestas condições de habitação e de vida - quer dizer cada sexta pessoa, mundialmente. A previsão é que o número duplique nos próximos 25 anos (ONU). O crescimento acelerado da pobreza nos centros urbanos constituirá um dos grandes desafios para os próximos anos.

Cada dois anos, um artista do hemisfério Sul pinta um Pano de Quaresma sobre o tema da Campanha. Para a Campanha de Quaresma 2011/2012, MISEREOR atribuiu este trabalho ao pintor Sokey Edorh do Togo. A composição em forma de colagem, utilizando terra africana, papelão, carvão e tinta acrílica, tematiza as condições de vida desumanas nas favelas e slums do Sul, mas também a vitalidade das mulheres, das crianças e dos homens que lá vivem. Baseando-se nos versos de Mateus 25, 35 ss., o artista togolês, Sokey Edorh, focaliza estes grupos excluídos da sociedade, mostrando-os como sujeitos da sua própria vida. A sua força, sua criatividade e espiritualidade podem servir-nos de exemplo.
Mais informações sobre o Pano de Quaresma estão disponíveis para download (pdf, 1,8 MB)
Sokey Edorh nasceu em 1955 em Tsevié e vive hoje em Lomé/Togo. Sokey Edorh encontra-se entre os artistas contemporâneos mais proeminentes da África.
Com dedicação e perseverança, o artista coletou sinais, símbolos e escritos de diferentes tribos, com base nos quais desenvolveu um sistema simbólico alfabético, que é tão complexo quanto artístico. As suas pinturas distinguem-se pela complexidade visual e pela abundância dos materiais utilizados. Trabalha com terra vermelha do continente africano e experimenta constantemente com novos materiais. As pinturas de Sokey Edorh são comentários acertados sobre a complexidade da África, buscando livrar o continente dos habituais conceitos e clichés. Sokey Edorh viveu e trabalhou em numerosas favelas em Benim, Congo, Mali, Burkina Faso e Togo.